O curso objetiva problematizar e descolonizar os modos de produção do conhecimento que sustentam a compreensão moderna sobre o que conta como conhecimento no âmbito da educação, provocando reflexões críticas sobre a formação de professore/as e os currículos escolares. Em diálogo com referências descoloniais e contracoloniais, aciona a compreensão do conceito de colonialidade para posicionar a colonização como um processo histórico com permanências na sociedade através da colonialidade do ser, do saber e do poder — expressas em práticas de racismo, genocídio, altericídio, sexismo, cis-heterossexismo e epistemicídio. O objetivo central é mobilizar as cosmologias de povos e de comunidades tradicionais de matriz africana, especificamente comunidades de terreiro, incorporando à formação de professores/as da educação básica referências afro-pedagógicas como a pretagogia, a pedagoginga e a pedagogia do terreiro, a fim de promover um redimensionamento político e epistêmico dos currículos escolares. Assim, propõe demarcar os legados negros e indígenas na constituição social brasileira e substanciá-los pela compreensão das suas cosmologias de modo relacional às questões contemporâneas sobre o direito aos territórios, à ancestralidade, à oralidade, à corporeidade, à memória, à educação, à arte e à autoinscrição, nas intersecções entre gênero, raça e classe. No âmbito metodológico, este curso prioriza práticas pedagógicas que valorizam a oralidade e as experimentações corporais e a organização didática proposta está composta pelas possibilidades de experiência com práticas circulares de produção de conhecimento em comunidades tradicionais, como as giras de saberes, a leitura na barra da saia e, ainda, as kizombas e os xirês. Nesse contexto, o curso apresenta as práticas da Escola Caxuté — primeira escola de matriz afro-indígena do Baixo Sul da Bahia - que foi criada pela comunidade do Terreiro Nzo Kwa Minkisi Nkasuté ye Kitembu Mvilla em parceria com movimentos sociais negros e indígenas.